Traumas Primários

Cuide da criança e o adulto será curado. Com essa reflexão eu começo esse texto. Temos muitas crianças dentro de nós, cada uma delas vem de um momento da nossa vida e a forma como essas crianças foram acompanhadas ou deixadas lá atrás tem um forte impacto em como nosso adulto reage às situações.

“Olhe para traumas primários e
não precisará olhar para traumas recentes.”
Bert Hellinger

Sabemos que a infância é, tanto na perspectiva da biologia quanto das abordagens terapêuticas, uma etapa decisiva na vida do ser humano. Isto não significa que quem enfrentou dificuldades enquanto criança, por exemplo, será necessariamente um adulto com muitos problemas ou que uma criança que teve uma infância mais tranquila será um adulto bem resolvido.

Os fatores determinantes para isso são a forma como ela foi amparada (ou não) pelos adultos de sua confiança e as suas percepções baseadas nas experiências que ela vivenciou anteriormente. Mas mesmo que tenhamos encarado essas situações adversas como limitadores, estamos sempre na posição de transformar nossa história, de poder ressignificar aquilo que passou.

Nesse sentido, de acordo com a proposta das constelações familiares, muitas atitudes da fase adulta podem ter surgido (ainda que de forma discreta) nos primeiros anos de vida ou até mesmo em contextos ancestrais. Situações estas em que, de forma inconsciente, nos colocamos por lealdade familiar, para nos mantermos iguais aos nossos pais, nossos avós, enfim, ao nosso sistema.

Olhar para nossa criança interior, significa olhar não somente para essas memórias, mas também para as emoções que elas nos provocaram e que ficaram retidas ou esquecidas dentro de nós como forma de nosso adulto se “defender” do que passou. Normalmente é assim que ele sente que vai conseguir seguir em frente: escondendo e camuflando aquilo que provoca desconforto.

No entanto, é justamente o contrário, ou seja, quanto mais eu excluo e renego aquilo que me causa dor, mais força ele ganha. Revisitar esse “lugar de dor” e permitir que nosso adulto olhe para aquilo que a criança passou com outros olhos, já mais maduros, é dar-lhe a oportunidade de ressignificar, de fazer as pazes com a nossa história e soltar esse peso tão doloroso para trás, seguindo para a vida de forma mais leve e confiante.

Saiba mais sobre Constelação Familiar.

 

Mariana Michelon
Mariana Michelon
Mariana é consteladora familiar formada pela Universidade de Caxias do Sul em parceria com o CELPI, Professional & Self Coach formada pelo Instituto Brasileiro de Coaching, advogada formada pela Universidade de Caxias do Sul.

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