Quando eu não me reconheço mais

Quando eu não me reconheço mais, a oportunidade que existe em se perder e se reencontrar. O progresso está no caminho de todas as mudanças e transformações que um filho nos traz.

Sim, deixamos de ter nossa individualidade, as mudanças são sutis, mas são várias, por exemplo: se amamentamos, usamos roupas que nos permitam amamentar a qualquer horário bem como o sutiã apropriado para isso, muitas vezes, nada bonito. Mulheres que pintam o cabelo abdicam disso durante pelo menos os primeiros meses de gestação. É como uma frase que ouvi: “Soltei a mão do mundo para segurar a sua mão.”

São muitas mudanças que se somam e, com certeza, faríamos todas de novo e de novo, sem arrependimentos, a questão não é essa, mas sim como elas vão se somando até que, em algum momento, vem essa falta de reconhecimento de si própria.

Mulheres de espírito livre, quero dizer, aquelas mais independentes, tem a tendência de sofrer com isso um pouco mais. Cada mulher tem o seu tempo, algumas sentirão mais outras menos, mas não é errado se sentir assim, é normal e digo que é necessário para construção de uma nova mulher, que assim como o filho nasce também.

Eu me lembro o primeiro dia após o nascimento do JP, tirei o curativo da cesárea e olhei a cicatriz, tremi de cima a baixo, não pela estética do meu corpo, mas por perceber que aquela marca significava algo profundo.

Muitas vezes me olhei no espelho e pensei: quem sou eu agora? Até porque ao ser mãe, não existe calmaria, previsibilidade e organização nos primeiros meses, tudo muda o tempo todo. E é nesse mar agitado que a maternidade se torna oportunidade de mudanças, do olhar para si, de mexer naquelas situações que deixamos para lá.

Você tem a possibilidade de encarar toda essa mudança após a maternidade como caminho para crescimento e evolução. Ao se permitir olhar para as angustias, questionamentos e sentir tudo isso de verdade, você vai conduzindo de que forma quer viver, como quer que seja o teu dia a dia, a relação com o filho, marido, família e amigos. Como quer construir seu futuro, por ti, mas principalmente pelos filhos, eles serão a partir de agora e sempre, nossa fonte de inspiração, ajudarão a definir melhor nossas prioridades.

Então o caminho pode ser doloroso sim, mas ao mesmo tempo bonito e transformador. Permita-se sentir assim, olhe para dentro de si e reconheça o que incomoda, nomeie os sentimentos e se conduza ao caminho de transformação.

Vamos juntas trilhar esse caminho?

Silvia Leticia Meneguzzo
Silvia Leticia Meneguzzo
Movida pela experiência pessoal, trabalha no desenvolvimento de mulheres para a sua melhor versão e tem enorme desejo de ver significado em sua vida e na vida das pessoas. Acredita que a mulher precisa estar bem com ela mesma, com suas necessidades, desejos e sonhos atendidos. Assim, tudo ao seu redor fluirá de forma harmoniosa, principalmente a relação mãe e filho(s). É desse universo tão complexo e ao mesmo tempo tão singular, que tem como missão alavancar mulheres a ter clareza do caminho. Auxiliando-as a olharem para si, com amor e cuidado e a se reconectarem consigo mesmas. É preciso ir além, fazer sentido e sentir!

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