Como a pandemia te colocou de volta no seu propósito de vida

Cape Town África do Sul, 2008. Foto: Arquivo pessoal Carolina Maino

Quero ajudar você a entender o que está acontecendo neste momento de pandemia e, principalmente, ajudar você a entender o que existe por trás, as consequências deste movimento de quarentena.

Toda essa situação com a pandemia do COVID-19 faz com que a gente experimente a morte de perto. Todo mundo sabe que vai morrer um dia, mas nunca ficou tão perto dessa sensação de morte. Porque qualquer um pode estar com o vírus, qualquer um pode passar para você, e isso pode acontecer no mercado ou no elevador do prédio onde você mora. Então, imagine que, quando você é colocado numa situação de medo, de morte iminente, de que algo realmente pode acontecer e desacelerar o seu processo de vida, ressurge do nosso inconsciente, o desejo de fazer o que tem que ser feito nessa vida. Certo? Desejo de não perder mais tempo, de não permitir que a vida passe sem que possamos deixar um legado. Por isso, eu resolvi explicar um pouquinho as minhas conclusões que chamaram bastante a atenção das pessoas nos últimos dias em relação a construir o seu propósito de vida.

Como as coisas acontecem na nossa vida?

Nascemos. Quando você nasce, sabe exatamente o seu dom, o que veio fazer aqui na Terra, quais são as suas habilidades. Você nasce com uma força e uma confiança inabalável.

Ao longo da vida você percorre uma trajetória e, nesse processo, você passa pelo envolvimento com a família, que é a sua base, escola, amigos. Você adquire, até os 15 anos de idade aproximadamente, as crenças sobre a vida. Crenças que podem te limitar ou não. E além das crenças, hábitos. Você já teve grandes formações de hábitos. E tudo isso acontece baseado em que? Nos exemplos que aprendeu com a sua família, no dia a dia, na convivência com as pessoas. E assim você vai formando o seu caráter.

Você chega perto dos 18 anos, 17 para 18 anos, que é quando você tem a primeira decisão sobre a sua carreira, ou seja, você vai para a faculdade e precisa escolher o que quer fazer da sua vida. Aqui acontece o maior erro da sua vida! O verdadeiro motivo pelo qual, hoje, algumas pessoas estão sem propósito de vida, estão desanimadas, com ansiedade, estressadas, depressivas. Porque, quando tiveram que fazer essa escolha, optaram de forma errada por questão financeira, por exemplo.

Aconteceu comigo. Eu queria fazer psicologia desde o início, mas eu não tinha condições de pagar a faculdade que era diurna. Eu teria que trabalhar para pagar a faculdade, trabalhar durante o dia e estudar à noite. Então, já errei ali pela questão financeira. Sem dinheiro, eu tive que optar pelo que eu conseguiria pagar.

Também é importante olhar para trás e avaliar os negócios de família. O pai ou a mãe possui uma empresa, já tem um legado, está prosperando, dando certo. Ou não está prosperando e aí, justamente, vem o filho salvador que faz uma faculdade de administração para entender a empresa e tentar alavancar os negócios da família. Isso acontece muito aqui na minha região. Seguir a carreira dos pais, seguir o legado que os pais construíram pode ser um erro. Muitas vezes não é o seu legado, mas, por honrar pai e mãe, para que haja harmonia na família, as coisas acontecem dessa maneira.

Outra coisa que pode dar muito errado na escolha da sua carreira é pensar nessas crenças todas foram construídas: você não é bom o bastante, você não é capaz, você não nasceu para ser rico, rico é desonesto e rouba, rico tem mais chances de ser assaltado, rico atrai a inveja dos outros. Uma família que passou por uma falência causa o medo de arriscar na hora de empreender, medo de ter seu próprio negócio e falir.

Assim, eu faço uma faculdade genérica, que possa me servir para qualquer emprego. Vou levando a vida, com o objetivo de ter uma carteira assinada, para seguir o legado de uma empresa que me dê certa estabilidade, que garanta o meu salário.

E aí está o erro na escolha da carreira!

E o que acontece depois disso?

Como nos livramos disso é a questão. Normalmente, só percebemos o erro lá pelos 30, 40 anos. Começamos a achar que somos velhos para recomeçar, nos perguntamos o que fazer com a faculdade que fizemos e como vamos desperdiçar tudo, começar do zero. Como sair dessa dúvida: Fiz administração e agora vou fazer odontologia? Fiz arquitetura e agora vou fazer design? Isso gera confusão.

Isso também aconteceu comigo, quando eu decidi fazer psicologia. A minha formação inicial foi relações públicas. Quando tive o meu próprio negócio de gestão de escolas de inglês (fiquei 7 anos com esse negócio, gerenciando as franquias), fiz um MBA em Gestão Empresarial. Depois, decidi que o meu movimento era com o desenvolvimento humano e passei por todo esse processo com um mentor, que me ajudou a ver que eu estava com pânico, com depressão, que eu não queria mais aquilo tudo que eu estava fazendo. Naquele momento da chave da virada, é que eu fui entender todos esses quesitos.

Você tem essa percepção e você tem medo da mudança, não sabe para onde ir. A hora é de olhar para trás. Para onde? Para quando você era bebezinho, quando você chegou no planeta com plena confiança na vida, sabendo o que queria fazer, sabendo qual era o seu dom, o que você ia entregar para humanidade. A construção desse caminho passa, na verdade, por uma desconstrução do eu.

E que eu é esse? O mesmo que passou por toda essa construção anteriormente. Você foi passando por uma construção, desde que você nasceu, até hoje. E hoje, você percebe que não é esse o seu caminho. Você precisa desconstruir esse eu para achar a resposta certa. Essa desconstrução passa por liberação de crenças limitantes, técnicas de desbloqueio emocional, técnicas para desbloquear inseguranças, medos. Tenho medo de arriscar, medo de me expor, medo de mudança, medo de ficar pobre, medo de perder tudo, medo de passar vergonha, medo de não ser aceito. São tantos medos que as pessoas ficam naquela zona de conforto mesmo, achando que ali é o melhor lugar. Perdem a oportunidade de viver uma vida memorável, acabam tendo só aquela vidinha ali, mais do mesmo.
Quando chegarmos nesse ponto do eu, vamos ter, na verdade, um autorreconhecimento. Por que reconhecimento? Porque já estava ali, basta você reconhecer.

Eu fiz um post falando sobre as 5 perguntas que ajudam a enxergar o seu propósito de vida:

Quais hobbies tinha que realmente amava ou ama?

Você nem pensa nisso como um trabalho porque sempre temos a tendência a pensar que trabalho é penoso, desgastante. Assim, o hobby jamais poderá ser um trabalho. Ledo engano! Exatamente aí pode estar uma fonte de realização muito grande.

Quais talentos, forças, habilidades que os outros lhe atribuem?

No que as pessoas estão sempre te pedindo ajuda? No que você é bom? Onde você se sente útil? Em que momento as pessoas apontam para você quando buscam a pessoa que é fera em determinado assunto? Isso diz muito sobre o seu propósito.

O que mais te incomoda no mundo?

O que mais te deixa desolado, irritado? Pode ser que, possivelmente, você possa ajudar as pessoas nesse caso. Olha esse exemplo de quando eu era adolescente: eu tinha uma amiga que não se achava bonita, então eu vivia incentivando ela, fazia maquiagem, fazia ela mudar de roupa. Às vezes a mãe dela queria impor algumas coisas que eu via que tinha ali uma chantagem emocional materna e eu falava “você tem que se libertar, porque isso não é assim”. Eu era a pessoa da transformação, isso estava no meu DNA. E é o que eu faço hoje, eu realmente transformo a vida das pessoas. Precisamos olhar para aquilo que gostávamos de fazer na infância, na adolescência. Esse é o nosso período pleno de criatividade e mil possibilidades. Isso também pode representar muitas respostas.

Qual sonho de mundo ideal você tem?

Como seriam as pessoas, como seriam as coisas? Quem sabe o seu dom não está, justamente, em transformar a realidade para que outras pessoas tenham também esse mundo ideal?

Quais seus valores que precisam ser atendidos?

Os seus princípios inegociáveis. O que você não quer fazer na vida? Qual o tipo de trabalho, profissão, que você jamais aceitaria para si mesmo? Qual o estilo de vida que você quer ter? Deseja ter horários flexíveis? Por exemplo, com a minha filha pequena, eu trabalho só meio turno, fico todas as manhãs com ela e trabalho à tarde. Se ela fica doentinha, se acontece qualquer coisa, eu simplesmente vou atender ela. Para mim, essa liberdade, essa autonomia, é muito importante. Eu não poderia nunca ter um trabalho que me prendesse. Que tipo de vida você quer ter? Quais são os valores que você quer atender?

São apenas pequenas perguntas que podem trazer grandes respostas. A construção do seu propósito engloba essas questões e seus valores sendo atendidos. Você vai pensar na sua vida como um todo. Não é uma construção de propósito só referente ao lado profissional. Precisa te atender no lado pessoal, no lado familiar, nas diversas identidades que temos, como mãe, como pai, como profissional, como irmão, como filho. É muito importante pensar nisso.

Além disso, você precisa muito entender que o propósito é construído. Não é simplesmente decidir que vai fazer o que ama e virou seu propósito. Não! O propósito é aquilo que você faz bem, que você ama fazer, que o mundo precisa daquilo e que vão pagar você para fazer isso. Um propósito precisa atender a todas essas perguntas para não virar filantropia ou só uma profissão.

Depois que fazemos essa descoberta dos novos valores, do nosso eu e do que realmente viemos fazer, começamos a construir o nosso plano de ação para realizar o propósito.

Temos que começar de algum lugar! Um novo negócio, uma nova carreira. Exige que você faça uma nova faculdade ou um curso técnico? É alguma coisa que você já possui o dom e não precisa de nenhuma competência técnica para isso? E, para isso, você vai precisar de orientações sobre como abrir um negócio, como construir um modelo de negócio, como divulgar através do marketing digital, que hoje é a grande ferramenta. Esse é o formato hoje para as pessoas te enxergarem, saberem quem você é, conhecerem da sua vida e, aí sim, te contratarem por isso, por saberem quem você é, por saberem que você é congruente com o que fala, com o que vende em termos de serviço ou produto.

Toda essa construção passa por etapas, um passo a passo. Eu quero deixar isso muito claro para você, do quanto é simples construir um propósito e ao mesmo tempo é complexo até o último fio. Porque quando não temos essa experiência, acontece o mesmo que aconteceu comigo, que fiquei anos apanhando, trocando de emprego: comecei numa grande empresa, fui morar com meu irmão em Recife para ajudá-lo no negócio, viajei como modelo por 3 anos, voltei e trabalhei em outra grande empresa, vi que não era isso que eu queria e comecei meu negócio como empresária, fiquei 7 anos com a gestão de escolas, de novo vi que não era isso. Ou seja, se eu tivesse um mentor naquela época em que eu comecei a ficar desgostosa com o meu rumo, eu teria atalhado muito esse caminho. Olha a importância de ter pessoas que já passaram por isso para te ajudar.

Se você chegou até aqui e está se sentindo assim, saiba que sempre há tempo para recomeçar. Nunca vou esquecer o que o meu psicólogo falou quando eu disse que queria começar a faculdade de psicologia e estava com medo, achando que, com 34 anos, já estava velha para buscar uma nova profissão. Eu estava passando pela minha chave da virada e ele disse: “Carol, o que são 5 ou 6 anos de faculdade perante mais 40, 50 anos que você tem pela frente para exercer o que você ama?” Nossa, isso foi a chave da minha virada naquele momento.

São essas situações que precisamos buscar. Nos entender, nos acolher, buscar esses atalhos para fazermos a coisa acontecer de forma assertiva, mais rápida. E fazer acontecer!

Essa é minha dica para você: Faça! Não deixe passar! Porque a gente não sabe o dia de amanhã. E eu tenho certeza de que você é muito especial e que você veio deixar um legado no mundo. Você veio deixar a sua marca pessoal. Não deixe a sua vida passar em branco. E, no que eu puder ajudar, vou estar aqui. Firme e forte!  Vamos em frente!

Carolina Maino
Carolina Maino
Graduada em Relações Públicas com MBA em Gestão Empresarial pela FGV, Possui formação internacional em Coaching pela SLAC (Sociedade Latino Americana de Coaching), é Analista de Professional Assess Certification, desenvolvendo habilidades de avaliação e construção de Modelo de Competências, Analista DISC (Avaliação de Perfil Comportamental) e Practitioner em Programação Neurolinguística.

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