O perdão na visão das constelações

“Não se deve pedir perdão. Um ser humano não tem o direito de perdoar. Nenhum ser humano tem esse direito. Quando alguém me pede perdão, empurra para mim a responsabilidade por sua culpa. (…) No ato de perdoar existe sempre um desnível de cima para baixo, que impede uma relação de igualdade. Pelo contrário, se você diz “sinto muito”, você se coloca de frente para o outro. Então você preserva sua dignidade, e para a outra pessoa é bem mais fácil ir ao seu encontro do que se você lhe pedir perdão.” (Bert Hellinger)

Nas constelações não se pede perdão nem tampouco se perdoa ninguém, a frase de cura utilizada é “sinto muito”. Isso porque, conforme os ensinamentos de Bert Hellinger, quem perdoa se coloca em posição de superioridade, pois afirma “você estava errado e eu estava certo”. Quando alguém diz “eu perdoo você” se torna maior do que o outro e isso faz com que a pessoa perdoada se sinta em dívida com quem “foi grande o bastante” para perdoar, criando um desequilíbrio entre ambos.

Quem pede perdão, transfere a responsabilidade de seus atos para o outro bem como transfere para ele a possibilidade de aliviar sua própria culpa, pois, após o pedido feito, cabe ao ofendido “aceitar esse perdão” e livrar o ofensor das consequências de seus próprios atos ou “não aceitar esse perdão” e carregar consigo o peso de não o ter feito.

Dizer “sinto muito” tem o mesmo efeito do que conhecemos como perdão, porém não deixa ninguém em dívida, não torna ninguém superior ou maior que o outro. A responsabilidade fica dividida, equilibrada, igualando as posições entre as pessoas. O “sinto muito” quando dito com verdade é o perdão que liberta.

Referência: HELLINGER, Bert. Ordens do amor: um guia para o trabalho com constelações familiares. 1 ed. São Paulo: Cultrix, 2007.

Mariana Michelon
Mariana Michelon
Mariana é consteladora familiar formada pela Universidade de Caxias do Sul em parceria com o CELPI, Professional & Self Coach formada pelo Instituto Brasileiro de Coaching, advogada formada pela Universidade de Caxias do Sul.

1 Comentário

  1. Avatar Deize Irene Moura de Oliveira disse:

    Muito boa a explicação!