O amor cego

“No amor cego, os filhos comungam com a infelicidade de seus pais repetindo situações de vida difíceis sofridas por eles.” (Bert Hellinger)

O amor permeia toda nossa existência. Nascemos através do amor de um homem e uma mulher. Dentro de nossas famílias nos ligamos uns aos outros através do amor. Quando partimos para o mundo é através dele que também nos ligamos às pessoas, seja na amizade, seja no relacionamento de casal.

 

E é o amor o nosso primeiro sentimento, amor por nossa mãe. Esse amor é tão profundo e ilimitado que uma criança é capaz de acreditar no auto sacrifício como forma de proteger as pessoas amadas. Esse amor é o responsável pela base da maioria das tragédias, pois a criança, na sua percepção de realidade, acredita, por exemplo, que pode salvar a mãe se ficar doente no lugar dela ou que sempre que ficar doente estará se aproximando da mãe, daí o nome “amor que adoece”. Ele se insurge contra a ordem estabelecida e contra a realidade, tal como se apresenta, ele espera resolver tudo com sua força, e por isso falha.

Em oposição a esse amor observamos um outro amor, mais amplo e abrangente em sua visão e também mais comedido e humilde em seus atos. Hellinger denominou esse amor de “amor que cura”. Esse amor flui junto com a ordem e se detém face aos fatos impossíveis de serem mudados, renunciando a agir além do que as condições permitem. Esse amor também mantém em seu campo de visão o outro, o ser amado, e o amor que emana dele para nós. É humilde e comedido, respeitoso. E por isso alcança.

Mariana Michelon
Mariana Michelon
Mariana é consteladora familiar formada pela Universidade de Caxias do Sul em parceria com o CELPI, Professional & Self Coach formada pelo Instituto Brasileiro de Coaching, advogada formada pela Universidade de Caxias do Sul.

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