Mulheres que (não se) amam demais

Atenção mulherada! Comecei a ler o livro Mulheres que Amam Demais (de Robin Norwood) e fiquei em choque!

Sim, quando peguei o livro nas mãos, eu tinha o intuito de estudar relacionamentos problemáticos e a atração por pessoas “erradas’’ na nossa vida, mas quando me dei conta, me identifiquei com vários padrões de comportamento apontados no livro. Nós temos a tendência de pensar em casos muito dramáticos e que eles não se aplicam ao nosso dia a dia, mas a verdade é que comportamentos muito simples, que repetimos em todos os nossos relacionamentos, já são considerados altamente nocivos para a nossa auto-estima. Quer ver?

Em resumo, o livro fala sobre como tentamos corrigir no nosso parceiro, comportamentos não satisfatórios que recebemos de nossos pais ou cuidadores, como falta de atenção, abandono, agressões físicas e verbais, desvalorização, entre outros. Se nossos pais faltaram conosco nesses quesitos tão importantes para o desenvolvimento de uma criança, com certeza a nossa versão adulta vai querer compensar.

A forma inconsciente de compensação é: “eu atraio relacionamentos problemáticos, tento corrigi-los e, assim, supro aquela deficiência da infância, pois agora eu posso assumir o controle da situação e resolvo todos os problemas”.

As crianças sempre se sentem responsáveis pelo problema dos pais, mesmo que não sejam, e dessa culpa, nasce diversos sentimentos de impotência, baixa autoestima, rejeição e frustração. Quando nos relacionamos com parceiros que nos remetem novamente àquela situação, sentimos o desafio de corrigi-la e assim, curar nossa dor. Eis a confusão, o sentimento de paixão é confundido com esse desafio irresistível de controlar aquela situação do passado que nos causou tanto medo e desconforto.

E quando conhecemos alguém pronto para nos amar, emocionalmente estável e disponível, tendemos a não sentir atração, consideramos um amigo ou alguém que não dá o frio na barriga, sabe? Dessa forma, achamos que nunca aparece o cara certo na nossa vida, que só aparece os piores tipos, que somos azaradas e mimimi…

Então, que tal parar de se sentir a vítima e dar uma examinada no seu passado? Quais as carências e sentimentos que você enfrentou e que hoje tem a necessidade de corrigir?

Esse livro traz vários casos de mulheres que amam demais, e o título se deve ao fato de elas acreditarem que por meio do seu grande amor e devoção ao seu “homem problema’’, poderá ajudá-lo, e dessa forma acaba passando por cima de si mesma.

Veja alguns padrões citados no livro:

1. Você vem de um lar desajustado em que suas necessidades emocionais não foram satisfeitas.

2. Como não recebeu um mínimo de atenção, você tenta suprir essa necessidade insatisfeita por meio de outra pessoa, tornando-se superatenciosa, principalmente com homens aparentemente carentes.

3. Como não pode transformar seus pais nas pessoas atenciosas, amáveis e afetuosas de que precisava, você reage fortemente ao tipo de homem familiar mas inacessível, o qual você tenta, mais uma vez, transformar por meio de seu amor.

4. Com medo de ser abandonada, você faz qualquer coisa para impedir o fim do relacionamento.

5. Quase nada é problema, toma muito tempo ou mesmo custa demais, se for para ajudar o homem com quem está envolvida.

6. Habituada à falta de amor em relacionamentos pessoais, você está disposta a ter paciência, esperança, tentando agradar cada vez mais.

7. Você está disposta a arcar com mais de 50% da responsabilidade, da culpa e das falhas em qualquer relacionamento.

8. Sua autoestima está criticamente baixa, e no fundo você não acredita que mereça ser feliz. Ao contrário, acredita que deve conquistar o direito de desfrutar da vida.

9. Como experimentou pouca segurança na infância, você tem uma necessidade desesperadora de controlar seus homens e seus relacionamentos. Você mascara seus esforços para controlar pessoas e situações, mostrando-se “prestativa”.

10. Você está muito mais em contato com o sonho de como o relacionamento poderia ser que com a realidade da situação.

11. Você é uma pessoa dependente de homens e de sofrimento espiritual.

12. Você tende psicologicamente e, com frequência, bioquimicamente a se tornar dependente de drogas, álcool e/ou certos tipos de alimento, principalmente doces.

13. Ao ser atraída por pessoas com problemas que precisam de solução, ou ao se envolver em situações caóticas, incertas e dolorosas emocionalmente, você evita concentrar a responsabilidade em si própria.

14. Você tende a ter momentos de depressão, e tenta preveni-los por meio da agitação criada por um relacionamento instável.

15. Você não tem atração por homens gentis, estáveis, seguros e que estão interessados em você. Acha que esses homens agradáveis são enfadonhos.

Caso se identifique ou queira ajudar alguma amiga que está sofrendo numa relação conturbada, recomendo essa leitura. Quando nos conhecemos e entendemos nosso comportamento, criamos consciência para promover as mudanças que precisamos, saindo do piloto automático e criando a vida que merecemos, e claro, com as pessoas certas.

Carolina Maino
Carolina Maino
Graduada em Relações Públicas com MBA em Gestão Empresarial pela FGV, Possui formação internacional em Coaching pela SLAC (Sociedade Latino Americana de Coaching), é Analista de Professional Assess Certification, desenvolvendo habilidades de avaliação e construção de Modelo de Competências, Analista DISC (Avaliação de Perfil Comportamental) e Practitioner em Programação Neurolinguística.

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