Líderes que sabem delegar

Ser um bom líder não é fácil, isso todos sabem. E apesar de serem poucos os que admitem, não são todos que nasceram para comandar, sustentar e apoiar uma equipe. É sempre um grande desafio ter subordinados. Porque subordinados são pessoas e pessoas não vem acompanhadas de um manual de uso. E para dificultar ainda mais, subordinados são pessoas pelas quais o líder é, em grande parte, responsável pelos seus desempenhos. Entre tantas outras coisas, isso significa que o líder precisa saber pedir e saber cobrar. Apesar de parecer, isso não é nada simples. As dificuldades em pedir de forma clara e de cobrar de forma correta são imensas.


Tem algo que fica no meio do demandar e do cobrar e isso se chama: DELEGAR. Delegar é uma verdadeira arte, só se aprende com o tempo e experiência, porque ela muda de pessoa para pessoa. O seu sucesso é totalmente dependente da relação de seus interlocutores, de seus comportamentos e atitudes. Existe apreensão das duas partes e muitas, mas muitas vezes, falta clareza de explicação e de entendimento.

Também existe o fator medo, medo de quem delega. Essa pessoa pode temer que a outra pessoa não execute o trabalho tão bem quanta ela mesma realizaria, o que pode significar retrabalho. Ou pior e mais grave, o delegante (aquele que delega) pode temer que a outra pessoa faça o trabalho melhor que ela. Por isso, não lhe explica direito, deixa interrogações no meio deste processo para proteger seu próprio ego. E isso sim é realmente grave porque um tem que crescer com os seus delegados, tudo é aprendizado. Uma equipe só tem sucesso real, se todos crescem e se desenvolvem juntos.

Conceitualmente, podemos dizer que a delegação é o meio pelo qual o líder renuncia a uma parte de sua autoridade, investindo-a em um subordinado, com o qual estabelece um vínculo de responsabilização. Mas cuidado, a responsabilidade não é nunca delegável! Na delegação vem transferida também a capacidade de tomada de decisão, mas o controle final do desenvolvimento da atividade delegada permanece sempre ao líder delegante. Por isso o processo de delegar trabalho a um colaborador pressupõe dar:
– Autoridade: capacidade que vai fazer com que alguém faça aquilo que deve ser feito naquele momento, seja qual for a influência que a pessoa possui.
– Responsabilidade: a obrigação de assumir uma tarefa específica na organização que inclui também o poder de decidir, no contexto em que é exercida.
Saber exercer essa delegação é um dos instrumentos mais importantes de gestão que o líder possui, seja por favorecer o desenvolvimento e a motivação de seus colaboradores, seja para reforçar a produtividade de sua equipe.

A delegação eficaz é um instrumento de forte motivação que melhora a produtividade, porque permite ao delegado subir na hierarquia da própria responsabilidade e ao mesmo tempo, permite ao delegante encontrar mais espaço temporal para assumir, por sua vez, tarefas diferentes e mais desafiadoras. O ato de delegar permite ao líder desenvolver seus próprios colaboradores, de forma que: a transferência de uma parte do trabalho do líder, e seus problemas correlatos, a um colaborador que também recebe a plena responsabilidade de completar a tarefa, tomando todas as decisões necessárias. Explicar ao delegado ‘que coisa’ e ‘porque’ de um problema particular.

Delegar é também:
– Abrir mão do êxito pessoal em função do êxito do grupo;
– Abrir mão de poder;
– Assumir riscos;
– Aceitar erros;
– Ganhar tempo para coisas mais importantes.

O processo de delegação envolve:
– Individualizar O QUE delegar;
– Delegar toda a função para uma só pessoa (não metade a uma e outra metade a outro); delegar o projeto todo, e não parte de um projeto.
– Individualizar a QUEM delegar
– Aos colaboradores diretos tendo em conta a sua capacidade/competência relativas ao contexto, ou seja, tendo em conta O QUE se delega.
– Individualizar COMO delegar
– Concentrar-se nos resultados e dar liberdade para o método; aceitar que não existe um único modo de gerenciar um projeto; Dar ao colaborador a autoridade necessária para realizar a tarefa; Avaliar e controlar.

Mas qual atividade delegar? Segundo o princípio di prioridade di Pareto delega-se 80% das atividades com 20% de risco. Para delegar o líder deve:
– Fornecer objetivos: poucos, claros e compartilháveis;
– Dar instruções: clara, compreensível, completa e viável;
– Dar prazo: necessário, fixo, razoável e verificável;
– Dar autoridade: responsabilidade equivale a ‘poder fazer’;
– Dar confiança: a delegação é, essencialmente, confiança dada;
– Controlar: pelo menos de vez em quando, mas o fazer sempre;
– Avaliar: apreciar ou apontar os esforços demonstrados;

Saber delegar com eficácia significa dar a tarefa certa à pessoa certa, concedendo-lhe o grau certo de liberdade, para que o trabalho se desenvolva de forma mais eficiente e produtiva. Mas é preciso gerenciar as expectativas. O líder deve deixar claro que o seu papel é apoiar sua equipe a tomar as próprias decisões e que isso significa oportunidades de fazer novos e interessantes trabalhos. A delegação eficaz pode produzir para o líder, sua equipe e sua organização benefícios de curto e longo prazo. Sendo eles:

Para o líder:
– Aperfeiçoamento do nível de confiança e comunicação com a sua equipe;
– Redução da sua carga de trabalho e o seu nível de estresse, removendo de sua lista diária de tarefas aquilo que outros estão qualificados a fazer;
– Ampliação do tempo disponível para focar em projetos que exigem suas habilidades e autoridade em particular, bem como em tarefas de maior importância, como planejamento de longo prazo e desenvolvimento de diretrizes.

Para a equipe:
– Possibilidade para que os membros da equipe aprimorem habilidades atuais e desenvolvam outras novas.
– Aumento da motivação, ao mesmo tempo em que proporciona aos seus membros um importante sentimento de realização.

Para a organização:
– Economia de dinheiro, ao assegurar que as tarefas são designadas às pessoas certas e nos níveis corretos.
– Aumento da produtividade e da eficiência geral, ao fazer melhor uso dos recursos organizacionais.

Líderes devem saber delegar, a delegação de poder de maneira criteriosa aumenta o poder de quem o delega. O líder amplia sua influência e o colaborador adquire maior incentivo para trabalhar. E o mais importante, quanto mais delega atribuições, mais o líder penetra na essência de sua função: que não é ‘fazer’ e sim ‘mobilizar para que os outros façam’.

 

 

Rejane Bussolotto
Rejane Bussolotto
Personal e Business & Executive Coach formada pelo Instituto Brasileiro de Coaching, consultora comportamental (DISC – Assessment) e consultora 360°. Formação em Desenvolvimento Pessoal e Profissional, Practitioner em PNL (Programação Neurolinguística), neurocoaching e mentoring; formada pelo Instituto Eduardo Shinyashiki. Bacharel em Administração de Empresas com Ênfase em Recursos Humanos pela FSG (Faculdade da Serra Gaúcha), e MBA em Gestão de Pessoas & Coaching pelo Instituto Brasileiro de Coaching.

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