Como o conflito de gerações pode bloquear seu propósito

Conflito de Gerações

Um dos motivos que gera bloqueios no nosso dia-a-dia é esse conflito de crenças específico de cada geração. A geração que está na faixa dos 20 a 30 anos acaba sofrendo pelo fato de não ter mais uma cartilha, um modelo a seguir, como foi com os nossos pais e nossos avós, que sabia desde cedo o caminho que teriam que adotar: comprar um carro, uma casa, manter uma carreira na mesma empresa sempre, ter 2, 3, 4 filhos e se aposentar.

Eles seguiram esse manual sem maiores conflitos porque todo mundo fazia dessa forma, e quem não fazia era visto como rebelde, maluco… Hoje, a nossa geração tem a oportunidade de fazer o que bem entender a hora que quiser e é por isso que gera bloqueio, justamente por não termos um manual de instrução para saber o que devemos fazer. O modelo de antigamente já não satisfaz e o modelo novo que podemos criar não tem garantia nenhuma, pois ninguém foi lá e fez pra dizer que está certo.

Por isso, esse conflito nos faz perder o sono muitas vezes, nos faz pensar se estaremos eternamente insatisfeitos, que não terminamos a maioria das coisas que começamos, que trocamos de emprego toda hora, entre outras coisas que para eles foi o correto até então, foi o que aprenderam e realizaram.

A reflexão de hoje é justamente pensar sobre o que queremos fazer das nossas vidas, porque isso nos apavora tanto, lembrar que temos esses resquícios dos nossos pais, da nossa cultura e da sociedade, que oferecia um modelo pronto de sucesso, mas que hoje não serve mais para o nosso padrão atual.

A geração dos 20 a 30 anos e as novas gerações querem estar sempre movimento, descobrir novos horizontes querem fazer 10 tipos de curso pra ver o que gosta mais, experimentar tocar violão, guitarra, piano, bateria para depois decidir pelo qual gosta mais. Continuar em suas escolhas porque faz sentido e não só para seguir a cartilha que diz que você tem que começar e terminar uma coisa.

Essas descobertas ajudam a nos conhecer e para que serve o autoconhecimento afinal?
E como se constrói esse autoconhecimento?

O autoconhecimento se constrói através de tudo que a gente experimenta, continua se gosta, desiste se não se identifica e parte para outro movimento, para outro experimento e assim vai se descobrindo, vai aprendendo as coisas que nos faz feliz e o que não trazem nenhum sentido.

É um grande aprendizado que não termina nunca. E por isso é maravilhoso, pois temos infinitas possibilidades e a grande sacada é aceitar que hoje podemos mudar de opinião, mudar de carreira, mudar de faculdade, mudar de vida várias vezes. Durante a nossa caminhada não temos seguir o padrão dos nossos pais que precisavam definir tudo antes dos 20 anos e viver com essa escolha até o final dos seus dias. É importante entender e aceitar o modo de vida que nossos pais tiveram para não entrar em conflito, pois eles têm as melhores intenções ao querer nos ensinar a seguir o que funcionou para eles.

Esse entendimento nos traz uma grande libertação, mas ao mesmo tempo uma grande dúvida, por não ter o modelo a seguir, junto com essa liberdade vem também uma insegurança de saber se tudo o que queremos está certo. A grande verdade é que não existe cartilha, vamos ter que experimentar e vivenciar pra saber se está certo na prática.

O principal fator para não nos bloquearmos em nossas escolhas é pensar no alívio que dá ao saber que se não der certo podemos recomeçar a qualquer momento, então não precisa  bloquear numa situação de mudança achando que não vai ter volta. Pois, tudo tem como voltar atrás, no sentido de recomeçar do zero até acertar a fórmula do sucesso de cada um.

Cada pessoa sabe o que é melhor pra si então a sacada de hoje é fazer uma reflexão sobre quais são os bloqueios que você desenvolveu simplesmente por ser de uma geração diferente da geração dos seus pais e se você já é pai ou mãe, reflita também quais são os conceitos e modelos que você está passando para seus filhos, veja se está de acordo com a realidade da geração deles.

O nosso papel hoje na sociedade tem inúmeras responsabilidades, perante os nossos familiares, funcionários e amigos, mas principalmente, a responsabilidade de sermos felizes, de estarmos plenos e confiantes das nossas escolhas, pois só dessa forma que vamos conseguir conquistar o nosso próprio modelo de vida.

Carolina Maino
Carolina Maino
Graduada em Relações Públicas com MBA em Gestão Empresarial pela FGV, Possui formação internacional em Coaching pela SLAC (Sociedade Latino Americana de Coaching), é Analista de Professional Assess Certification, desenvolvendo habilidades de avaliação e construção de Modelo de Competências, Analista DISC (Avaliação de Perfil Comportamental) e Practitioner em Programação Neurolinguística.

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