Como eu troquei meu trabalho por uma carreira

Comecei a trabalhar com 15 anos de idade, naquela ocasião busquei um trabalho por que queria sair mais com os amigos, fazer festas e comprar coisas que meus pais não tinham condições de me dar, aí eu pensei, vou procurar emprego para ter o que eu quero.

Meus pais sempre me estimularam e me cobravam quanto aos estudos, mas eles não tiveram preparo para me direcionar desde criança quanto a escolha profissional, aprenderam que para ter as coisas precisavam trabalhar e ponto. Foi assim que aprenderam e viveram, trabalharam muito para não deixar nos faltar nada, mas também não tinham o suficiente para pagar a faculdade e foi assim que eu cresci sem ter uma perspectiva do que eu queria para minha vida. E quero deixar bem claro que isso não é um julgamento quanto a eles, foi o que eles aprenderam com seus pais e me ensinaram com a certeza de que estavam fazendo o melhor, assim como todo pai e mãe fazem.

Isso que escrevi, é só para você entender que foi por isso que ao invés de escolher fazer o que gostava e me dava prazer, escolhi apenas um trabalho que pudesse me dar um pouco mais do que eu tinha. Trabalhei nesta empresa por doze anos e depois de cinco anos que estava lá, decidi fazer faculdade, percebi que meu salário era muito baixo e a única coisa que me faria ter um salário melhor seria eu ter mais estudo. Então dentro do salário que eu recebia, também procurei por um curso que eu pudesse pagar e que não me desse muito trabalho porque confesso que eu era muito preguiçosa para estudar. Então novamente busquei algo que facilitasse minha vida, não busquei saber o que eu realmente pudesse gostar de fazer para seguir minha trajetória. Como trabalhava com pessoas, não era muito boa nisso, mas como também detestava exatas, pensei, vou fazer o que todo mundo faz: Administração de Empresas e para fugir um pouquinho mais dos cálculos, busquei Administração de Empresas com ênfase em Recursos Humanos.

A partir daí comecei então a estudar, próximo da minha formatura decidi sair do trabalho e seguir então na profissão que havia escolhido, perceba que novamente eu disse profissão. E assim se passaram nove anos da minha vida, onde fui trabalhando na profissão que tinha escolhido, mas com um certo vazio dentro de mim. Eu conversava com algumas pessoas e quando falavam de seu trabalho, do que faziam, os olhos delas brilhavam e aquilo me destruía por dentro.

Um certo dia conversando com uma pessoa, ela me perguntou numa brincadeira: O que você faria se ganhasse na Mega Sena? Eu respondi num tom de voz muito firme: Nada, vou ser rica! Foi quando perguntei a ela: E você o que faria se ganhasse na Mega Sena? Ela me respondeu: Vou trabalhar com mais tranquilidade, gerar empregos para que as pessoas também possam ter a mesma tranquilidade que eu!

Quando eu vi nos olhos dela o brilho com que ela me falava aquilo, foi como uma faca me cortando por dentro, foi ali que eu disse para mim mesma, como pode toda vez que ela fala do trabalho dela, ela tem esse mesmo brilho no olhar e ela ainda quer trabalhar a vida inteira nisso, eu não posso mais viver assim, preciso dar um rumo na minha.Depois desse episódio eu me comprometi comigo mesma, de que não iria mais viver como vivia, sempre sofrendo, acordando todos os dias cansada e indo trabalhar me arrastando com a sensação de que carregava o mundo nas costas.

Busquei ajuda e iniciei uma nova caminhada, fui me descobrindo, me desenvolvendo e busquei descobrir o que eu realmente gostava de fazer, o que fazia sentido para mim. Até o dia em que para minha surpresa me deu aquele estalo, sabe aquele “plin” que dá lá dentro da cabeça: PESSOAS, é com pessoas que eu quero trabalhar é isso que eu quero fazer a minha vida toda.
Embora eu já trabalhasse com pessoas naquele momento eu entendi que só não era para trabalhar como eu trabalhava, por isso acreditava não gostar do que eu fazia. A partir dali iniciei um processo de transição de carreira, que foi muito doloroso também, por que nós não estamos preparados para deixar para trás tudo que construímos em 22 anos de trajetória profissional, mas mesmo assim eu segui com meu propósito.

E foi quando eu decidi encarar de frente e assumir fazer o que eu tinha descoberto que gostava de fazer, que me deu aquele “plin” novamente, e me veio na mente aquela lembrança da pessoa me perguntando: O que eu faria se ganhasse na Mega Sena? E a resposta desta vez foi: eu vou trabalhar minha vida toda. Foi ali que compreendi o que era um trabalho e o que era uma carreira, por que o olho daquela pessoa brilhava tanto, ela tinha a sua carreira e eu descobri a minha também.

Um trabalho são as atividades que você faz com o objetivo de atingir uma meta ou objetivos, e quando remuneradas passam ainda a ser nossos empregos, já CARREIRA é todo o caminho que trilhamos, é o nosso sonho, nossa meta a longo prazo, que muitas vezes pode levar uma vida inteira para ser construída.

E você, tem um emprego ou uma carreira?

O que te faz levantar da cama todos os dias para ir para o trabalho e ainda vibrar de alegria com o trabalho que faz?

Quando você fala para as pessoas o que faz, tem brilho no olhar?

Essas perguntas fazem sentido para você?

Pense sobre isso, pois foram esses questionamentos que mudaram minha vida e me levaram a fazer o que eu amo.

 

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Rejane Bussolotto
Rejane Bussolotto
Personal e Business & Executive Coach formada pelo Instituto Brasileiro de Coaching, consultora comportamental (DISC – Assessment) e consultora 360°. Formação em Desenvolvimento Pessoal e Profissional, Practitioner em PNL (Programação Neurolinguística), neurocoaching e mentoring; formada pelo Instituto Eduardo Shinyashiki. Bacharel em Administração de Empresas com Ênfase em Recursos Humanos pela FSG (Faculdade da Serra Gaúcha), e MBA em Gestão de Pessoas & Coaching pelo Instituto Brasileiro de Coaching.

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