Como encontrar a paz em meio ao caos

Como encontrar paz em meio ao caos

A pandemia do coronavírus nos trouxe uma realidade muito diferente daquela que estávamos acostumados: isolamento social, trabalhar em casa, conciliar atividades domésticas com trabalho e filhos, sem poder sair livremente, sem encontrar familiares e amigos, usar máscara e álcool gel, notícias de mortes, mudanças na economia, empresas fechando, demissões, sistema de saúde em colapso, entre outros. Fomos invadidos por pensamentos e sentimentos de pânico, tristeza, angústia e incertezas. Nesse cenário caótico, é imprescindível estar com a saúde mental em dia, saber organizar a nova rotina, cultivando e transmitindo para quem está próximo, pensamentos responsáveis, positivos e otimistas.

Ok, mas como encontrar paz em meio ao caos?

Bem, isso me fez lembrar de uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida, que aconteceu justamente no lugar de maior pobreza. E o quanto essa experiência me fez refletir sobre o quanto a felicidade vem do nosso estado interno.

Em 2013, quando viajei para Índia, percebi que as referências de caos e ordem que os indianos têm é o reverso da nossa. Isso é uma das coisas que faz com que eles sejam tão serenos e alegres. A alegria não vem do ter, ter mais, ter o melhor, mas sim do ser, do estar pleno no momento presente, satisfeito com a condição que vive.

Como encontrar paz

Créditos da foto: Arquivo pessoal Carolina Maino

Em nenhum momento na Índia eu senti pena, compaixão, tristeza. Ao contrário do que eu imaginava, senti amor, uma sensação de unicidade com todos, de igualdade. Sem julgamentos e comparações, cada coisa no seu lugar, com seu valor e função, sem necessidade de mais, simplesmente o necessário para o momento.

Se o caos para eles consegue ser ordem, então a nossa concepção de caos é ridícula e inadmissível.

Perguntei para um indiano: “O que você mais gosta na Índia?” Ele, com uma gargalhada, respondeu: “Gosto de não termos regras de trânsito e que podemos jogar lixo em qualquer lugar.” Tudo isso, para a nossa civilização, é o caos – e justamente isso era o que ele mais gostava.

Depois, perguntei o que era mais importante para ele. Sem pensar, ele disse: “A família. Aqui todos são unidos e se ajudam em tudo que precisar, seja entre parentes ou simplesmente vizinhos.” Outra bela lição: senso de comunidade, ajuda sem interesse.

Uma amiga me disse antes de eu viajar: “Vá sem nenhuma expectativa e preste muita atenção nos pequenos detalhes de tudo, porque na Índia muito pouco está manifestado na matéria, quase tudo que é importante é invisível para olhos.” Depois disso entendi perfeitamente aquela frase “O essencial é invisível aos olhos.”

Não se trata de ver o que nossos olhos conhecem e já têm como referência. Aliás, o problema está na nossa referência e nossos padrões do que é bom e bonito. Alguém pode me achar insana quando me ouvir falar, mas eu senti na Índia um amor que não senti em nenhum lugar do mundo, nem mesmo na minha cidade.

Comi nas barraquinhas de rua, dormi em lugares com lençol usado por sabe-Deus-quem, tomei banho frio e debaixo da torneira, andei em ônibus que com certeza se visse parado poderia jurar que não funcionava, e por incrível que pareça, não passei mal nenhuma vez. Sobrepus às condições normais de higiene que estamos acostumados e me dei conta que somos “limpos” demais, sem necessidade.

Sobrevivi às minhas crenças limitantes, a tantos paradigmas e exigências que tinha para buscar a tal felicidade. Encontrei-a justamente onde não tinha nada do que me era conhecido como modelo de felicidade. Eu fiquei feliz mesmo com as mãos sujas e as unhas pretas de pó, comendo amendoim comprado na rua, recém tostado, observando as vacas na rua comendo lixo, andando de ônibus às 14h de um domingo, sem pressa para chegar a lugar algum. Depois disso, aprendi que posso ser feliz com qualquer coisa, em qualquer lugar, pois o estado de alegria é interno.

Simplesmente entendi que não preciso ter, preciso ser!

Ser fiel aos meus valores, ser despreocupada, ser desprovida de julgamentos e críticas, ser humana, ser generosa, ser desapegada, ser leve, ser livre. Não tem nada de errado em querer ter coisas, bens materiais e afins, desde que nossa felicidade não dependa disso para existir. Sobrevivi a mim mesma, soltei as amarras da resistência, morri e renasci.

Algo mudou em mim desde aquela viagem, só o sentimento de estar viva já me deixa feliz agora. E essa é a mensagem que deixo aqui, observe seus valores e viva de acordo com eles. Simples assim!

 

 

Carolina Maino
Carolina Maino
Graduada em Relações Públicas com MBA em Gestão Empresarial pela FGV, Possui formação internacional em Coaching pela SLAC (Sociedade Latino Americana de Coaching), é Analista de Professional Assess Certification, desenvolvendo habilidades de avaliação e construção de Modelo de Competências, Analista DISC (Avaliação de Perfil Comportamental) e Practitioner em Programação Neurolinguística.

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